Meu trabalho de conclusão de curso que realizei na Universidade do Estado do Pará, foi sobre o ensino do Design através do seu Projeto Pedagógico e vou postá-lo aqui. Vou dividi-lo em etapas para que vocês desfrutem.
Breve Histórico sobre o ensino do Design
O design moderno é marcado por grandes conflitos ideológicos e envolto em um contexto social e político onde envolve as grandes revoluções mundiais, como por exemplo, a chamada Revolução Industrial do século XIX, o qual há uma mudança de paradigma nas formas de produção e a ascensão de um novo grupo que começou a estabelecer suas bases para se firmar como grupo hegemônico em termos econômicos e posteriormente políticos, isso também gerou uma crise no sistema absolutista com a Revolução Francesa. A principal atividade no que tange a produtos manufaturados, era de responsabilidade de artistas e artesãos que desenvolviam produtos com preciosa elaboração e eram respeitados pela corte, mas com o advento das máquinas, esse grupo começou a perder espaço para a cultura do consumo em quantidade, que era proporcionado pela técnica e autores como WICK (1989) coloca personagens marcantes neste período que criticaram essa “evolução das máquinas” em detrimento da beleza e do sentimento do fazer artesanal.
Entre esses personagens que antecedem o ensino formal do design, estão John Ruskin (1819 – 1900) e Willian Morris (1834-1896), integrantes do movimento Art and Crafts, eles estabeleceram as principais bases para o que se chama de design moderno, que na fala de GROPIUS (2004, p. 33) “foram os primeiros que se colocaram contra a corrente, mas sua oposição à máquina em si não podia estancar a enchente”. O primeiro era um crítico severo da produção industrial, pois como afirma WICK (1989), via na industrialização um grande risco para produtor e consumidor, quando que para o primeiro colocava em risco a beleza do fazer artístico em função de uma possibilidade próspera de auto-realização e o segundo acabava colocando o seu gosto estético em segundo plano em função de uma aquisição de um produto de massa, de qualidade muito inferior e de um gosto discutível. Ruskin valorizava sobremaneira o artesanato medieval no estilo gótico e sentia um ódio cego pelo processo industrial através da máquina, pois tirava do ser humano o que lhe havia de principal e belo, na sua concepção, o sentimento do fazer artesanal. O segundo, na visão de WICK (1989) superou Ruskin em sua crítica, pois tirou delas o processo prático e “concretizou o Novo”, Morris foi de grande universalidade profissional, pois era pintor, poeta, projetista, artesão praticamente e teórico social. Numa época marcada de conflitos sociais, conseqüentes do processo de industrialização, ele queria desenvolver uma empresa de artesanato artístico aos moldes de sua visão pautada no artesanato medieval, tal qual Ruskin, com o objetivo de desenvolver produtos de uso diário, mas com participação coletiva na criação artística e seu funcionamento semelhante ao de uma cooperativa.
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